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Nada (ou quase)

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A Eleutério Prado, companheiro de angústias e utopias. Nada, no ano novo, no futuro, eu não acredito em nada, nos liberais, nos progressistas, no ativismo, no estado de direito, na democracia, no mercado, no outro mundo, na outra vida, nem mesmo na arte. A ciência funciona apenas para engordar o bolso dos abutres nas bolsas. As redes enredam narcisos apaixonados em likes, os links são o caminho da peregrinação da alma em busca do Graal dos algoritmos da fortuna dos já afortunados. Bem aventurados os implacáveis e ambiciosos, os ciosos de si mesmos, são deles o reino dos CEOs. Não creio em nada, mercados de carbono, energias limpas, consciência social num mundo i- mundo de almas adorando o Deus dos shoppings num ritual frenético de compras, mais compras, mais mercado- rias, a felicidade é ganhar, ganhar, ganhar e gastar, gozar o instante depois do longo sacrifício do dia a dia, sol a sol, a vida inteira em troca de um punhado de cifras. As ruas entupidas de carros, o mundo entupido de c