terça-feira, 19 de junho de 2018

O totalitarismo espiritual do capital

Por Franco Átila

A necessidade de chamar atenção pelas redes sociais é uma constante no mundo pós-moderno. Por que este desejo doentio de ser visto e supostamente admirado? Supostamente, pois a fama pós-moderna não é resultado do reconhecimento coletivo de algum talento pessoal. Ela é medida apenas pelo volume de atenção pública recebida por uma ação ou característica individual.

Na era do capital total, as pessoas se desumanizam num narcisismo infantilóide, cuja sustentação única é a medida quantitativa da audiência. Eventualmente, o narcisista pode até ganhar dinheiro com sua vaidade vazia, mas o importante é que este mecanismo de aferir a alma da pessoa pela audiência (quantidade abstrata) é análogo ao de aferir a riqueza (pessoal, empresarial ou nacional) com a quantidade de  capital acumulado, ou seja, como riqueza abstrata - e desumana.

A alma das pessoas se constitui, agora, por grandezas abstratas e categorias formais, destituídas de sentido: renda, fama, produtividade, notas escolares, relógio, direito, democracia etc. Estamos, pela primeira vez na história, diante de um monoteísmo que conquistou, de fato, todas as almas do planeta, e cada palmo da alma. E esse Deus - único e verdadeiro - não é o Cristo, e sim Mamon.

No reino de Mamon, o que era humano se degrada no inumano das abstrações formais. Tudo é valor.

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